Creio que aprendi hoje uma das maiores lições sobre a profissão de jornalista: é possível ser objetivo sem cair na superficialidade.
A produção do jornal Lab é um dos projetos da cadeira, bem como este blog. Mais do que vivenciar a experiência da iniciação na futura profissão em todos os meios possíveis, a atividade apresenta-nos as diferenças (gritantes, por sinal!) de cada um. Enquanto aqui no blog há quase que caracteres infinitos, no jornal temos um limite que deve ser religiosamente respeitado.
“Pessoal, é melhor escrever mais e ter de cortar depois do que duplicar o texto”, advertiram os professores. Só que uma coisa é escrever (estourando) mil caracteres a mais que o permitido para o espaço; outra é escrever mais que o dobro. Aprendi que 1900 caracteres, embora o número assuste à primeira vista, não são nada quando realmente há conteúdo para expor e se opta pela editoria geral, cuja abrangência de assuntos é muito maior que nas outras . Escrever a matéria não foi o maior desafio; promover uma espécie de esquartejamento no tão elaborado texto foi, no consenso geral, o pior.
Algumas informações gerais tiveram de ser descartadas, mas a essência da matéria permanceu intacta. O conteúdo não decaiu. Essa é a mágica da objetividade do Jornalismo: ser sucinto com consistência é quase ser um artista.
Postado por: Fontoura
Eis o texto!
A liberdade em discussão mais uma vez
Por Aline de Mello e Mariana Fontoura
Nos dias 6 e 7 de abril Porto Alegre recebeu o 22º Fórum da Liberdade. Organizado pela Instituto de Estudos Empresariais (IEE) reuniu, no Centro de Eventos da PUCRS, estudantes, empresários e profissionais. O tema escolhido para a edição de 2009, ”Cultura da Liberdade ”, contou com a presença de palestrantes de várias nacionalidades.
A palestra de abertura teve a presença de Vicente Fox, ex-presidente do México. Em seu discurso, disse ser contra os longos mandatos. “A alternância de poder é essencial, do contrário, o espírito de transformação do governante pode adormecer”, defende.
Roberto Civita, editor chefe da revista Veja, ao receber o Prêmio Liberdade de Imprensa declarou que a imprensa não deve ser a única a combater a corrupção, e completou: “Olhos e ouvidos não provocam mudanças sozinhos.
O intelectual norte-americano Charles Murray e o membro da Fundação CARE, o brasileiro Bolívar Lamounier, foram os convidados do Painel “Cultura da Liberdade”. Ambos trataram das questões da desigualdade, da miséria, e o costume de buscar uma justificativa no passado, quando a solução está no presente.
No painel, “Liberdade e Protecionismo”, a ex-Ministra das Finanças na Nova Zelândia, Ruth Richardson, o economista Alessandro Teixeira e o fundador do Movimento Libertário na Costa Rica, Otto Guevara Guth, deram o tom do debate. Com a presença de Denis Rosenfield, Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e Alberto Carlos Almeida, escritor e pesquisador, deu-se a terceira rodada de palestras com o tema “Liberdade e Intervencionismo”.
A polêmica deu-se no quarto painel que discutiu a “Liberdade de Etnias”. Frei Davi dos Santos, defendeu que “as cotas étnicas vêm, justamente, para acelerar a integração entre brancos e negros”. Em contrapartida, Demétrio Magnoli, jornalista e o ganes Franklin Cudjoe, disseram que as cotas não são uma forma de inclusão racial, alimentando a discussão.
“A imprensa não existe para ser politicamente correta, nem para agradar a todos”. Foi assim que a editora chefe da revista Exame, Cláudia Vassalo, abriu o painel “Liberdade de Imprensa”. Já Tom Palmer afirmou ser contra as propagandas de órgãos governamentais nos meios de comunicação. Humberto Ávila posicionou-se contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, associando-a a uma forma de censura.